1º CAPÍTULO : A SURPRESA
Faltavam exatamente cinco dias para a grande virada de ano, e meus pais haviam escondido algo de mim, e aquilo já estava me irritando. Quando ganhei meus presentes no natal, todos eram um... Tanto quanto estranhos. Eu ganhei simplesmente tudo o quê eu já tinha, e roupas que eu só usaria no inverno, e aqui, no Brasil estava muito calor, o que eu iria fazer com aquilo tudo? Meus pais estavam loucos! Levantei-me na segunda-feira de manhã, sem nada para fazer, típico de férias, e eu teria de me acostumar com aquilo, pois já havia terminado o terceiro ano. Eu pensava em fazer alguma faculdade, mas ainda não tinha decidido qual. É talvez eu houvesse pensado em alguma, mas se fosse escolher, seria professora de inglês. Olhei para o relógio que marcava exatamente dez e quarenta e cinco. Espreguicei-me, dei um chute na coberta, e amassei meu cabelo castanho, e liso. Pus minha pantufa, e fechei meu diário que estava encima da minha escrivaninha ao lado de minha cama, é eu tinha um diário. Fui para o closet, peguei uma roupa qualquer, e fui para o banheiro tomar um banho. Tirei os vestígios de preguiça, troquei de roupa, penteei meu cabelo, e desci para tomar café. Ao descer a escada, escutei alguma coisa sobre uma suposta viagem.
- Querida, teremos que entender que será para o bem dela. Jamie já está crescida. É um futuro que está em jogo. – disse papai, com aquele tom amoroso, que se dirigia á mamãe, quando queria convencê-la de alguma coisa.
- Mas... Eu não sei Jorge, sinceramente? Eu não sei. O fato de ir, para mim tudo bem, mas com quem, e como ela irá ficar, é o quê mais me importa.
- Já estou providenciando as coisas. – quando papai disse isso, eu resolvi interromper.
- Bom dia papai, bom dia mamãe.
- Bom dia querida. – disseram-me os dois.
- Sobre o quê estavam conversando? – disse sentando-me á mesa, e pegando um copo de suco, como se nem me preocupasse com o assunto.
- Nada querida. Hm... Nada. No momento certo você irá saber.
- Ai, como sempre. Sou a ultima á saber de tudo nessa casa. – resmunguei.
- Mantenha a calma, meu bem. – disse-me papai me dando um beijo sob a testa, e pegando seu casaco que estava na cadeira, e se retirando da mesa, para ir trabalhar. Deu um beijo em minha mãe, e saiu. Como já era de se esperar, seria mais um dia em que mamãe ficaria um tempo comigo, e sairia para as compras. Era sempre assim. Por fim, depois de mastigar um pedaço de torrada, interrompi o silêncio que pairava entre mim e minha mãe.
- Pensei em fazer letras. – suspirei, e abaixei o tom na ultima palavra. Mamãe não queria que eu fosse professora.
- Por mim tudo bem querida. – sorriu mamãe de orelha á orelha.
- Como assim, tudo bem? Você não estava aceitando isso até ontem á noite.
- Seu pai anda com umas idéias loucas, e estou tentando te colocar em uma faculdade aqui. Se eu conseguir você não precisa partir. – sussurrou mamãe em pensamentos longos.
- Como assim? Partir? – assustei-me. Partir pra onde?
- Se eu te disser, você jura que não conta nada ao seu pai?
- Juro.
- Ok. É o seguinte, estávamos conversando, e seu pai achou melhor que você fizesse um intercâmbio. Sabe aquele negócio todo de ficar na casa de família, e estudar até conseguir o certificado e tudo mais.
- Sim. – meus olhos brilhavam. – claro que sei. Mamãe eu quero ir!
- Você quer ir? Como assim? E eu aceitando essa sua tal faculdade aqui! – resmungou.
- Olhe, eu falo inglês fluentemente. Eu só iria me dar bem lá. – parei, pensei e depois me assustei. – Espera aí! Lá a onde?
- Stratford.
- Ta. Onde fica isso? – franzi o cenho.
- Canadá, no sul da província de Ontário.
- Poxa, Canadá? Que máximo! A única coisa que eu não sei, é porque vou pra essa Strat do Ford, sendo que eu não faço a mínima do que e da onde se trata, e sabendo que existem melhores cidades para eu ficar.
- Foi seu pai quem quis assim. – suspirou mamãe, e me deu um sorriso triste.
- Ou, não fica assim, eu vou mais eu volto. – ouvimos um barulho na porta, era papai voltando. Tinha esquecido a chave do carro, ou não.
- É impressão minha, ou já tem alguém sabendo de tudo o que planejamos? – olhou desconfiado para mamãe.
- Ela ouviu a conversa querido, e aposto que você também estava na porta, escutando tudo.
- É, nada disso, eu só vim pegar as chaves. – envergonhou-se. Nós duas caímos na gargalhada, e ele franziu o cenho, bravo.
- Papai o que é que há? Eu só vou fazer intercâmbio no Canadá não é? Então.
- Em Stratford, especificadamente. – resmungou.
- Ah claro. Esse negócio ai mesmo. Aliás, quando vou?
- Domingo.
- O que? Domingo?! – me assustei. Domingo seria Dalí á seis dias. – tão já papai?
- Sim querida, um novo ano, uma nova vida, certo?
- Sim, claro. Nova vida – olhei para mamãe, e ela ficou quieta. Eu só não imaginava que o quê papai havia dito envolvia realmente e inteiramente uma nova vida, uma vida totalmente diferente do que eu esperava para mim, uma vida que qualquer garota daria uma vida, pra ter a minha vida em Stratford! Loucura.